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domingo, 28 de dezembro de 2014

Ba: Estudante que prestou queixa contra racismo sofrido em Shopping de Salvador concede entrevista ao blog. Ela diz que ainda existe muito racismo.

Ana Paula Bispo, estudante da Universidade Federal da Bahia, prestou queixa contra loja de Shopping tradicional de Salvador, ela diz que foi acusada de furtar brinco. O fato ocorreu em no dia 08 novembro desse ano. 

A estudante do curso de Produção Cultural da Universidade Federal da Bahia(UFBA), que relatou ter sofrido preconceito em um shopping da capital baiana, por ser negra, responde perguntas do blog. Ela afirma que apesar da Bahia ter a sua população de maioria negra, casos de preconceito ainda é muito presente no estado. O caso foi noticiado em vários jornais de grande circulação do país. Na internet, muitas pessoas compartilharam o ocorrido e apoiaram a estudante. 
                                                                                                  Reprodução/Facebook  
                                                   
                                                                                                           Ana Paula Bispo      
       
A estudante expressou ter se sentido muito constrangida com o fato. Ana Paula Bispo, de 30 anos, além de ter feito uma reclamação na central de atendimento do Shopping, ela ainda prestou queixa em uma delegacia de Salvador. Em sua página do Facebook, ela descreveu toda a situação, que afirma ter sido uma atitude preconceituosa da loja, pelo motivo de ser negra: senti hoje o verdadeiro peso do racismo, aquele que transforma negra, de cabelo crespo em ladra. Podem dizer que não há relação, mas enquanto eu não vir moças brancas com seus cabelos lisos relatarem fatos iguais não me convencerei. Em nota publicada, a loja se desculpou e se disse solidária com a estudante, ainda lamentou o ocorrido.

Ana Paula disse que levaria o caso adiante. Ainda postou:  Não posso me calar, sou mulher, sou negra, sou pobre, sou estudante e trabalhadora, não admito ser tratada como criminosa.                                

Ana Paula Bispo diz que ainda existe muita discriminação nos estabelecimentos comerciais. "Eu acho que a discriminação nos estabelecimentos é muito grande, muito mesmo ". Ela também afirma que vê avanços nas políticas públicas de combate a descriminação racial, mas que elas precisam de ações educativas paralelas.

Sobre os atendimentos nos estabelecimentos comerciais de Salvador, você acha que aquele fato que aconteceu com você, foi um fato isolado, ou acontece com muitas pessoas na cidade?

Ana Paula Bispo: Eu acho que a discriminação nos estabelecimentos é muito grande, muito mesmo. Você entra e te julgam de acordo com sua cor e a forma como está vestida. Eu nem teria como acreditar que foi um fato isolado, pois recebi inúmeros depoimentos em minha página do facebook de pessoas que passaram por situações parecidas. Algumas pessoas em lojas da mesma rede, o que derruba a tentativa de culpabilizar os funcionários.
Um homem me reconheceu no ponto de ônibus e narrou um episódio que ocorreu com ele em 1998, ele contou com detalhes, nunca esqueceu. Me disse que na época não tomou nenhuma providência e que se sentia orgulhoso de minha atitude. Esse é um tipo de coisa que acontece muito e que quem passa não esquece.

A pessoa já vive com todas as dificuldades que a nossa sociedade apresenta, encara humilhações diárias ao voltar pra casa em ônibus lotados e sujos, que atrasam, convive com desigualdades e injustiças sociais, mas batalham pra viver com dignidade e se orgulhar de levar uma vida honesta aí vem alguém e te trata como escória...  Não, não é um fato isolado, infelizmente, mas é inaceitável. 

O estado da Bahia é um dos que mais tem a sua população formada por pessoas afrodescentes, como você vê as questões de igualde racial no estado, há avanços ou a Bahia tem muito preconceito e racismo ainda?

Ana Paula Bispo: Acredito que a Bahia ainda tem muito preconceito sim, que não se justifica, pois a maioria da população é negra. Mas também sou otimista em relação ao futuro. Acredito que estamos avançando e embora os passos não sejam tão largos estão na direção certa.

Se algo de bom pode ser tirado desse episódio é o apoio que recebi e a indignação das pessoas, mostrando que isso não é aceito com tanta naturalidade. Mas é algo tímido, algo que precisa melhorar bastante.

Você participou de algum evento de combate ao racismo, foi convidada, e  como você analisa as políticas de combate as desigualdades raciais no seu estado?

Ana Paula Bispo: Fui convidada pra algumas coisas sim, mas infelizmente não pude participar de tudo que gostaria, pois a vida segue, e tem a faculdade e o estágio. Fui convidada pra sessões em câmara de vereadores da Região metropolitana(...) Participei da inauguração do Observatório de combate ao racismo e homofobia ligado à prefeitura. Vejo avanço nas políticas públicas também, mas que precisam de ações educativas paralelas e que deixam a desejar nesse sentido.




Para o leitor:

Você já presenciou ou já ouviu alguém relatar algum tipo de preconceito sofrido em estabelicimentos comerciais do seu estado? Deixe seu comentário!




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